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27 27UTC janeiro 27UTC 2012Abatida?
3 03UTC dezembro 03UTC 2011Tive um pesadelo detalhado e `a cores. Nele, eu seria decapitada… sem direito a anestesia.
O medo se apossou de mim. Chorei. Antes estava tão feliz que me parecia certo, como 2e2 são 4, que o tapete seria puxado sob meus pés. Me vi cansada de tudo, principalmente de ter sentimentos.
Em uma revista li uma reclamação: “vejo amor em quem não tem” E me perguntei: Vou seguir assim?
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças: “somos muito diferentes”. Anh? Até ontem éramos uma dupla, tão sintonizados, parecidos e tal…
Cortem-lhe a cabeça!!!!!! Ouvi bem alto. A Rainha vermelha é bem racional, mas não quer dizer que seja inteligente. Quer dizer só que não tem coração!
Estava me sentindo uma vaca indo para o abatedouro. Ninguém saberia das lágrimas que escorreram dentro de mim, nem tão pouco da angústia que corroeu o meu estômago.
Depois de abatida, eu vi: A minha carne assada em um belo churrasco! E os convidados bebendo chopp em minha homenagem, em homenagem a minha cabeça perdida do meu corpo, rolando a ladeira.
Iriam comer da minha carne mal-passada, bem sangrenta…intoxicada pela adrenalina dos últimos dias. E claro, passariam muito mal.
Dai então, colocariam uma música e dançariam no mesmo colchão, onde outro dia o churrasqueiro me amou. Tudo uma farsa, uma ilusão.
Tive a certeza de que havia sido alimentada, apenas com um propósito: ser abatida!
E então, meu corpo tremeu e pulou na cama e eu acordei assustada, com seus braços em volta de mim, me amparando:
- Calma, calma, já passou, ta tudo bem. Você teve um pesadelo!
Eu xadrez
10 10UTC outubro 10UTC 2011
Eu xadrez. Como um tabuleiro – o jogo rolando solto…
Jogo, brincadeira, muitas vezes um verdadeiro parque de diversões!
Tem montanha russa: !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Desce freneticamente em rítmo acelerado,
sobe com um sorrisinho no rosto e frio na barriga.
Chegaram para mim, cápsulas, trazendo jóias conscientes.
E eis que em um piscar de olhos, o mundo já mudou…
Tenho muito o que fazer:
É esse eterno descortinar a vida.
Haikai ?
10 10UTC setembro 10UTC 2011Melancolia
29 29UTC agosto 29UTC 2011Gostaria de me tornar uma pessoa bem, mas bem desapegada de tudo mesmo. Sabe, tão desapegada que da raiva? Todo mundo conhece alguém assim…de um desapego abissal…
Engraçado foi que comentando isso, ouvi de uma amiga do trabalho: “mas você é um pouco assim, não?” Eu ri… “eu???” Mas ser assim um pouco apenas, não é o bastante. É preciso ser muito assim, não pender nem para um lado e nem para o outro, não apostar em nada, deixar ir e vir o que for e não achar também nada bom o bastante ao ponto de querer não perder. Gostaria de ser um “tanto faz” ambulante, é possível ???
Na quarta-feira passada assisti Melancolia… Melancholia, filme do dinamarquês Lars Von Trier – o mesmo diretor de Anticristo e que acabou de ser banido do festival de Cannes deste ano, por declarações controversas sobre Hitler e o nazismo.
Fiquei muito mexida, incomodada…
Me deu raiva da personagem principal, vivida pela Kirsten Dunst. Que pessoazinha mais egoísta…com a sua dor, sua sensibilidade extrema, seu desligamento das pessoas, seu não estou nem ai para nada! Me deu raiva não! Me deu foi inveja! A melancólica, egoísta e sábia, fora dos padrões, Justine… a sua dor existencial é tão gigante, que ela não consegue nem dimensionar o outro…
Ah, se eu fosse assim…tenho certeza absoluta de que não teria cabelos brancos, não teria nada, nem sangue correndo nas veias, perderia os amores sem sentimentalismo, deixaria algumas oportunidades passarem sem objeção e estaria pronta, serena e calma para o fim do mundo.
Não seria perfeito ?
Vi o filme sob efeito de algumas garrafas de um vinho rosé maravilhoso. Entrei no cinema afim de desanuviar de alguns problemas…e que beleza, encontrei a solução definitiva: me tornar uma pessoa gélida, porém profunda, me tornar um verdadeiro precipício – desapegada, afastada e de dar medo!
E me relacionaria bem melhor com quem vale `a pena, simplesmente porque estaria sempre pronta para o fim de tudo!
Estaria também sempre `a parte dos bossais e dramáticos em geral!
Dormiria o quanto eu cismasse, me deprimiria ao ponto de não querer tomar banho, seria amoral sem culpa e não faria absolutamente nada para deixar ninguém bem… nem mal.
Cometeria apenas uma maldade: manteria alguém se preocupando comigo – que fosse apenas uma pessoa! E claro, com ela não me preocuparia, assim como não me preocuparia com ninguém. Pensaria apenas em mim, nas minhas próprias dores, afazeres e possibilidades!
Mas carregaria essa dor existencial ainda mais profunda? Hum…
Eu não sou crítica de nada então posso dizer: achei o filme um pouco chato, apesar de lindo, tem uma angústia o tempo inteiro no ar, um incômodo que não te deixa pensar, cenas de puro encanto… os atores são incríveis – tem Charlotte Gainsbourg em um excelente papel.
Enfim, é imperdível. Melancholia me sacudiu e me testou – me deixou irritada: papo para a minha próxima análise. Afinal, eu sigo tentando desapego com humanidade/ amorosidade.
Veja o trailler:
O tédio
25 25UTC julho 25UTC 2011Outro dia ouvi o telefone tocar insistentemente e não atendi. Tenho olhado para as minhas roupas dia-a-dia cada vez mais emboladas, pensando que preciso arrumá-las, mas, nada…
No entanto, passei a semana indo a lugares novos, conhecendo pessoas novas, falando também de novos assuntos…mas e daí ? Ando entediada e pronto.
Por isso, já entrei no casulo de novo. Na concha, como dizia um antigo homeopata quando eu era adolescente.
Voltando mais lá atrás, a lembrança que cisma em não sair da minha cabeça:
Eu visitava meus avós, na casa deles, perto de Rio das Ostras, região dos lagos, de tempos em tempos. Quando garota eu ia com meus pais e muitas vezes passava uma semana inteira lá, nas férias. Não, você não tem idéia do que é passar uma semana em Rio Dourado… e sem absolutamente nada para fazer…eu ficava boa parte do tempo na rede da varanda lendo, me balançando, conversando… boa parte comendo vários doces que a minha avó fazia, boa parte matando mosquito e a outra boa parte procurando o que fazer. Claro, geralmente o que eu achava para fazer não era algo propriamente… bom.
Na casa deles tinha sempre uns engradados de coca-cola, da garrafinha pequena. Dali a minha avó ia abastecendo a geladeira. Mas eu era completamente regrada, não podia beber refrigerante quando eu quisesse. Geralmente era liberado só para acompanhar um lanche “especial”. Então, o que fazer com a falta do que fazer? Para burlar todas as regras, algumas vezes, eu e a minha prima passávamos escondidas pela dispensa, pegávamos as garrafinhas de coca quente e pulávamos o muro da casa para beber sem que nos vissem…então a gente ficava ali, sentadas no chão de terra, do lado de fora da casa, bebendo aquela eca! Mas, a gente fazia isso para dar umas boas gargalhadas e espantar o tédio, apenas para isso e nada mais.
Bom mesmo era quando o meu avô também ficava entediado, porque então ele chamava a gente para subir um morro bem em frente, que lá, no outro lado, dava em um pequeno cemitério, na beira de um lago. Então a gente subia tudo aquilo, sentava lá em cima e ouvia ele dizer sempre a mesma coisa: “olha que beleza, esse lago…quero ficar por aqui quando eu morrer, apreciando esta vista…”, dai a gente começava a brincadeira mais engraçada com ele que era empurrar as imensas e pesadas casas de cupim que a gente encontrasse pelo caminho, só pelo prazer de vê-las rolar morro abaixo. O que o tédio pode fazer com as pessoas, não ?
Então, to pensando aqui em casas de marimbondo, coca-cola quente…mas tenho consciência que o tédio pode ser bem mais perigoso hoje em dia, pode me levar à fazer coisas bem mais abomináveis, das quais, na certa me arrependeria depois…
Tédio, tédio, vai embora…me deixa ser uma pessoa sensata, quietinha na minha concha dessa vez!
Reescrevendo tudo…
22 22UTC junho 22UTC 2011O carinho que recebi de uma amiga, veio com estes versos na capa:
“ O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-me.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.”
Affonso Romano de Sant’Anna.
Achei lindo!
Mas, como estou na fase de reescrever tudo, e a vida finalmente voltou a me dar folhas em branco, peço licença ao escritor, para fazer uma adaptação dos versos para o meu momento:
Escrevo para não ser calada.
Faço para me sentir conectada.
Sinto, para que qualquer dor, enfim, passe.
Vivo, para que a paz triunfe.
`As vezes adio, porque em muitos casos, antes tarde, do que nunca.
Vísceras
10 10UTC junho 10UTC 2011Um pouquinho de vísceras às vezes cai bem…
Imutável
Por que
Faca afiada e cortante atravessando o meu peito ?
Fui em busca de paz
E me deparei com um furacão, o meu próprio furacão.
E só o que posso e devo fazer é me manter independente.
Me deparei com tanta coisa em apenas uma semana…
Um mundo de possibilidades,
Que tem muito mais a ver com as minhas escolhas
Do que quando sou a escolhida.
Por que
Sou tão afiada e cortante quando atravesso o seu peito ?
Entalada
Com várias coisas que gostaria de ter ditto
E que simplesmente não saíram de mim.
Travação,
Imposição de limites…
Dar tempo ao tempo
Que se move, e venta, e muda tudo, até o imutável.
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Mulher Incrível
Fique bem, passe bem, seja de bem.
Fique na boa, passe na boa, seja na boa.
A mulher incrível sempre acha um jeito de se colocar
No furacão, na tempestade, no meio do caos
Ela está sempre bem,
Sempre na boa.
Ela acha que vai surtar, ela quer parar, ela pensa em tudo
Mas não fala.
Ela sorri e segue em frente.
Ela come o caos, se entope dele
E põe para fora sempre algo diferente
Algo transformado
Uma vida inteiramente nova
Com outras portas à diante para abrir.
E o externo corresponde, mudando os desejos, mexendo tudo de lugar.
Quem vai querer uma mulher incrível assim para conviver ?
Só um homem incrível seria capaz.
Sendo assim, as oportunidades são raras e os movimentos precisam ser perfeitos e ideais…
- Vai ser difícil!
- Impossível!
E a mulher incrível não quer ser incrível
Ela só quer agora é ser feliz.
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Leia um texto visceral, de um ciclista em São Paulo: Outras Vias
Quero te convencer, consigo ?
25 25UTC maio 25UTC 2011Pára tudo, que vou tentar te convencer a acompanhar mais uma série americana!!!
Ela passou no Brasil, há uns 4 anos atrás, mas eu não vi. Acho que pouca gente viu na tv. Agora o jeito é alugar na videolocadora ou baixar na internet.
A melhor série dos últimos tempos não é Lost, Dr.House e nem Law and Order SVU – olha que me dói dizer isso, porque sou apaixonada pela última.
Mas, pela primeira vez estou acompanhando uma série desde o primeiro capítulo. Estou no meio da segunda temporada – cada uma com cerca de 13 episódios. São cinco temporadas ao todo, oba!
Trata-se de Six Feet Under. À Sete Palmos .
Cada episódio começa com uma morte. Os Fisher são uma família de coveiros, ou melhor, diretores de funerária. Uma família Adams moderna, que realmente poderia viver em um bairro qualquer em Los Angeles.
A primeira morte, do episódio que abre a série, é do Pai dos Fisher, em um acidente de carro. Nate, o filho mais velho, que até então morava em Seattle volta para casa depois da morte do pai. David, o mais novo, que era o braço direito do pai, à princípio, é o único que sabe das responsabilidades de manter o negócio. Claire, a jovenzinha e mais sarcástica e visionária da família, tem uma queda por psicóticos – opa, adoro a personagem!
E a mãe, meu Deus, o que é aquela mãe! A pessoa mais travada do planeta! Tradicional e séria, é na verdade a mais louca de todos, disparado!
Vale à pena lembrar de Brenda e Billy. Brenda é namorada de Nate – terapeuta corporal, vem de uma família libertária de psiquiatras que “fuderam” com a cabeça dos filhos. Ela é um caso científico e Billy, seu irmão, diagnosticado como bipolar, é inteligente, sedutor e sai manipulando muita gente pelo caminho.
No decorrer da série, vão se juntando à família, amigos, parentes e toda a gama de pessoas que visitam a casa para enterrar seus mortos.
Os personagens são autênticos e coerentes com suas loucuras particulares. A história tem uma trama perfeita. Fico realmente admirada como os roteiristas são bons! Daí que fiquei sabendo que o dono dos argumentos é nada mais , nada menos que Alan Ball, roteirista de Beleza Americana. Maravilha. Mas, Six Feet Under é ainda melhor. rs
Nunca perco o começo do episódio porque adoro ver o morto morrendo. É humor negro da melhor qualidade. Dá para perceber que a gente pode realmente morrer de um tudo, basta estar vivo. O bom é que , como não há envolvimento com o personagem – o morto é na maioria das vezes um estranho – você fica focado no tipo de morte em si e no desenrolar da história, dos seus familiares, do culto de velório escolhido e sobretudo de como ele será lembrado pelos que ficaram.
Durante os diversos velórios, também é muito legal acompanhar como as mais variadas crenças lidam com suas perdas.
A história tem um tempero engraçado mas, fala de sexo, homossexualidade, relacionamentos, psicopatias e sobretudo da morte de uma forma profunda e geralmente eficaz.
Recomendo aos deprimidos, aos que tem medo da morte e também aqueles que sobretudo querem viver.
Imperdível.
Se você ficou em dúvida e tiver paciência dê uma olhada em duas “críticas” sobre a série : Cinemabox e Desfoque
A não existência do EU e a peça A Esposa e A Noiva
13 13UTC maio 13UTC 2011- Você não existe.
Sentença que pode ser pronunciada em tom cruel ou exclamativo.
A pessoa que diz isso para a outra, em geral, não tem idéia de que esta é uma grande verdade.
Eu estou convencida de que “a única coisa que existe é a mudança”, nada mais. O “Eu”não existe.
Somos diferentes a cada segundo, minuto, hora… como existir ? Mesmo para os mais apegados, a mudança também chega. O tempo todo o Universo está em movimento e mesmo que não possamos enxergar, estamos mudando de lugar.
Existem pessoas que vivem no fluxo da mudança. Estão mais entregues ao que a vida tem para lhes oferecer e não procuram perfeição nem em si, nem em ninguém. E existem também pessoas que rejeitam a mudança, que são presas ao passado, que julgam os outros o tempo todo, que não enxergam mais nada e nem ninguém com um “olhar virgem”…
Na maioria das vezes, acho que esses dois lados convivem em cada um de nós, e um se sobrepõe ao outro dependendo do momento.
Somos tudo isso, e ao mesmo tempo não somos nada… essa é a chave para enxergar o mundo realmente como ele é- ou seja, não é!
Ontem, assisti a peça A Esposa e A Noiva . Texto de Tchekhov – autor russo que escreveu entre outras obras: A Gaivota, O Jardim das Cerejeiras, Tio Vânia e As Três Irmãs - e a interpretação da bela e talentosa atriz Luciana Fróes.
Ela começa dizendo que Tchekhov nos trás em seus textos o poder de transformação daqueles que estão carregando a morte sobre seus ombros… deveríamos lembrar sempre que a morte é para todos e que ela vai chegar.
Na peça, as duas histórias apresentam personagens bem verdadeiros, onde nos reconhecemos o tempo todo. Tchekhov não julga, mas também não se apieda. Coloca aquela cena como um retrato para que interpretemos, segundo o que imaginamos, sentimos…
A vida é rápida, mas o dia a dia, muitas vezes, pode ser entediante… daí é que vêm os deprimidos dizerem que “a morte seria um presente” …
Só quem vive ou já viveu com a sombra da morte em suas costas, sabe o que é.
Eu posso dizer: quando a morte está bem perto você quer é viver. E o ilimitado se torna bem mais visível.
E é justamente no ilimitado onde nos encontramos – nós, que não existimos…onde somos todos uma coisa só: apenas frutos da nossa própria imaginação.
Pensando nisso tudo consigo compreender que o arqueiro zen acerta o alvo quando ele se transforma na própria flecha. Quando ele tem a intenção, mas está relaxado e ativo, focado e ao mesmo tempo no fluxo. Corajoso, sem perda de consciência, honesto em seus sentimentos e determinado em acertar.
Fácil ?
Hahahahaha…
Teatro Sesc de Copacabana. 2547-0156
www.sescrio.org.br













