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Outro dia queria trazer para uma colega do trabalho o filme A Felicidade Não Se Compra e comecei a procurá-lo em casa mas, lembrei vagamente que emprestei o dvd para alguém, não me lembro quem, para pedir de volta…este é um clássico do cinema americano, de 1946, dirigido por Frank Capra. Um filme ingênuo, terno e lindo. Eu ganhei o dvd de uma das minhas melhores amigas, num aniversário, já faz tempo.
E nessa de procurar o dvd e remexer em vários dvds, imagina o quanto de coisas não passou pelas minhas mãos e me trouxeram uma infinidade de lembranças…em um dia da semana passada vi 3 dvds sem nada escrito na capa, com fotos especialmente emocionantes. E num misto de alegria, surpresa e dor, fiquei desejando aquele passado novamente na minha vida…
E isso mexeu demais comigo. Passei o resto da semana sonhando com as pessoas das fotos, com o meu amor perdido, que nem estava nas fotos, especialmente um sonho em que dentro de um taxi eu descalça achei um all star (acho que vermelho) para calçar, exatamente do meu número…enfim, sonhos…e levei para o meu analista a seguinte questão:
Não é a primeira vez que me sinto nostálgica por causa de fotos. Quando eu estava nesta fase das fotos que eu vi e então eu olhava fotos da minha adolescência, lembro de me sentir nesta nostalgia também: querendo viver a adolescência de novo. E hoje, enquanto penso no passado, tenho a minha vida de agora escorrendo pelas minhas mãos…e pior é que eu sei que bem mais tarde, vou olhar para as fotos deste momento de agora e achar tudo muito especial! Por que não achar agora? Por que não consigo viver a plenitude agora mesmo!?
E foi falando sobre isso, que depois desta sessão tive um efeito imediato em mim. Senti uma profunda gratidão por quem está perto de mim hoje, pela minha filha, minha casinha, meu trabalho, meus amigos, minha família, todos os meus, que ali na frente podem não estar mais aqui, podem deixar de ser meus, podem se afastar por algum motivo, ou eu deles, ou o mundo acabar, ou eu acabar para o mundo…e eu tenho tanta vontade de viver e estar perto destas pessoas que amo e quero vê-las sempre felizes.
Aí me dei conta, que o filme que eu procurava fala disso também. De um ser que não da o real valor para a própria vida e, para os que estão ao seu lado, que é obrigado a ver a vida daquelas pessoas sem a presença dele. E então, é levado a reconhecer a sua própria importância, o valor dele mesmo na vida delas… muito bom.
Nem sempre na vida o quadro vai estar completo. Aliás, na maioria das vezes não vai estar. Por exemplo, há alguns anos a minha mãe estava viva e não está mais, mas há 13 anos eu era sozinha no mundo e hoje não sou mais: tenho um pedaço de mim na minha filha. Há anos estive casada e vivi coisas maravilhosas, assim como nada boas com o casamento. E hoje estou solteira e vivo as alegrias e as agruras de estar só. Alguns amigos se foram, alguns, eu me fui deles, outros viraram família porque estão na minha vida desde sempre…
Se tudo está em mudança o tempo todo e esta é a única certeza que se tem, a plenitude só pode ser interna e não externa. Olhando para fora, nada é perfeito. Mas, olhando para dentro, a minha vida é um frame no grande filme do universo. Ou seja, não é nada, mas é fundamental para que o filme seja do jeito que é. Então, tenho que dar valor a mim mesma na vida do outro, nas atitudes que tenho e no quanto sou capaz de mudar o meu mundo e daqueles que estão por perto.

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