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Há cerca de dois anos atrás eu estava tomando remédio para controlar a ansiedade pela quarta vez na vida. Havia deixado de lado a meditação, e depois que o remédio começou a fazer efeito, voltei para a yoga – prática de ásanas, como um primeiro passo para me restabelecer.

Comecei a buscar novamente um caminho e foi graças a uma palestra de Sri Prem Baba, de onde saí irradiando alegria, que voltei a meditar formalmente. Ele pedia pelo menos um minuto de meditação por dia. Eu já havia buscado técnicas de meditação através do zen budismo e do budismo de Nitiren, mas confesso que a rigidez japonesa que encontrei nestes lugares sempre acabavam por me afastar. Apesar de eu admirá-los e por mais que tenha aprendido muito e conquistado bençãos aos sons de Nam Myoho Reng Kyo, fazendo hatha yoga e meditando todos os dias, além de ir sempre que possível nos satsangas para meditar no coletivo e ouvir as palavras de Prem Baba, comecei a ficar mais em paz, a me cobrar menos e era isso o que eu realmente precisava. Então, posso dizer que o meu retorno a um caminho de maior lucidez e tranquilidade se deve a este guru maravilhoso.

Mas, foi quando conheci a Ananda Marga, no ano passado, Instituição criada por Srii Srii Anandamurti, espalhada pelos quatro cantos do mundo,  que realmente me identifiquei com uma filosofia. Lá, no caminho para a Consciência Suprema você aprende a necessidade de que corpo, mente e espírito estejam equilibrados e encontra respostas necessárias a um espírito sem a tradição da devoção. O Yoga como sistema é a base de tudo, resolve a equação e te dá as ferramentas necessárias: ásanas para um corpo saudável, com as glândulas ativadas e os chakras funcionando em equilíbrio; alimentação mais natural e vegetariana para alcançar um estado de energia mais sutil; e com o corpo funcionando melhor, sem dores e outros problemas, colocar-se em posição de lótus com a espinha ereta e o coração tranquilo é mais fácil e logo se atinge o estado de meditação. Daí ser grato pela vida e devoto de uma Consciência Suprema é praticamente uma consequência de se sentir mais identificado com a própria alma do que com o corpo. A meditação vai limpando os ruídos, pensamentos altamente contaminados e dando espaço para novas conexões.

Na Ananda Marga a meditação é feita por níveis que as didis ou os dadas (irmãs mais velhas ou irmãos mais velhos) passam aos poucos para os iniciados. Você pode ficar só na primeira lição se quiser, não é isso que vai te impedir de alcançar a Consciência Suprema, mas, claro, o interessante é seguir em frente e ir aprendendo diversos saberes para aperfeiçoar sua meditação. Isso porque não é de uma hora para a outra que os pensamentos e sentimentos negativos somem, por exemplo, por isso é que a limpeza precisa ser constante.

Outro aspecto importante da filosofia é o serviço desinteressado. Serviço mesmo, sem troca ou negociação. Aquele que você realmente faz sem esperar absolutamente nada de volta. Ele te da a sensação de verdadeira utilidade no mundo. Porque naturalmente, depois que você entra no processo, muitas e muitas coisas existentes no mundo vão perdendo o sentido e o valor. Quando você medita para valer e consciente durante um tempo, todos os dias, de manhã e de noite, e faz meditação em grupo uma vez por semana, garanto que muitas coisas acontecem naturalmente, como a não vontade de consumir substâncias que alterem a consciência, a falta de vontade de comer alimentos mais densos, a vontade de dormir e acordar mais cedo, a vontade de voltar para casa e meditar, a necessidade de estar consigo mesmo e a não vontade de conviver com pessoas extremamente materialistas e superficiais. O mundo muda e suas necessidades também. Ninguém te obriga a nada e nem insiste em relação a nada com você. Tudo parte da vontade de sentir a mesma paz de espírito que havia sentido antes durante alguma prática de meditação. Meditar passa a ser fundamental.

Depois, é também convivendo com o grupo e continuando seus aprendizados, que você começa a perceber que precisa tomar cuidado para não ter o “orgulho yogue” ou o “orgulho do meditador”, que usa essas ferramentas para dominar ou se achar melhor do que outras pessoas que estão em caminhos diferentes. Afinal, o ego continua tentando nos amarrar o tempo todo.

Uma outra coisa é que na Ananda Marga é tudo bastante mental, existem questionamentos e respostas. Tem canto, dança, posições e tudo tem um significado.

Por experiência própria, garanto que a vida vai entrando nos eixos. Posso falar por mim: mesmo sem “aquele” trabalho, sem vida social intensa, sem frequentar os lugares da moda, sem roupas novas, sem rotina determinada, sou mais autoconfiante. Ganhei um rosto iluminado, uma paz impressionante, um autocontrole surpreendente, um sono restaurador, uma utilidade inquestionável, uma busca de metas sem pressa e uma consciência muito mais tranquila. Ganhei uma visão maior de mim mesma e das minhas potencialidades. Voltei a aspirar uma realização que venha de algum trabalho humanitário. Voltei a me ver como um ser que veio a este mundo para servir e amar e hoje tenho mais entendimento de que todo o resto é apenas consequência.

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