Superlua

Tags

, , ,

superluaUma lua incomum no céu, a tal da superlua apareceu brilhosa, poderosa e infernal. Foi na segunda-feira, acordei chorando por tudo e por nada. Passei o dia com lágrimas escorrendo dos olhos sem um motivo real, palpável e aparente. Mas, tenho meus detalhes para tal.

Tento fazer você rir. Seu sorriso é toda a minha esperança. Quando você sorri o mundo se ilumina. O seu mundo, o nosso mundo. Não precisa de lua no céu, nem de azul do mar, não preciso de nada. Quando você está triste quero que o mundo suma da minha frente, também não quero nada. Nem o sol, mesmo com toda a importância que ele tem para mim.

Meus ombros então pesam…vivo carregando o cansaço daqueles que acham que não devem se responsabilizar por nada nesta vida.

Por isso é que volto aos bares,  à yoga, à ginástica, ao ponto na praia, á pista de dança para me acabar, a querer uns e a não querer outros por perto. Volto ao que me vem, volto aos passos que andam na minha direção.

Olhos que não ardem, coração que pulsa sem acelerar, corpo audaz, sorriso sem desconfiança.

Seja como for, a gente é sempre responsável pelo mundo em que vivemos. Sempre.

Seja como for, é o seu pensamento e cada uma de suas palavras que fazem o mundo um pouco pior ou melhor. Nada mais.

Existe perda quando interpretamos tudo errado. Existe perda quando a cabeça é paranóica. Existe perda quando a gente não flexibiliza o olhar para o outro.

Estou lendo Mate-me Por Favor, a História sem censura do PUNK. São entrevistas com todos os personagens originais : Iggy Pop, Patti Smith, a galera da Factory, do Velvet Underground, do Ramones, The Doors…ouvindo Perfect Day, do Lou Reed, tentando engolir o que sinto e o que nem sei se sinto… tentando fluir sem me sentir travada ou detonando. Tentando equilibrar a sua proximidade com a vontade e ao mesmo tempo a necessidade de me afastar. Tentando enriquecer o meu vocabulário para que sem sentir você me diga afinal o que se passa comigo, porque nem eu mais entendo. Porque to de queixo caído com a segurança que sinto agora, na minha, e a certeza da insegurança que sei que vou sentir se um dia, de repente, cair nos seus braços.

sua mesa e meu deserto

Tags

, , ,

florescerEu acordei e instantaneamente você me veio à cabeça.

Lembrei que era domingo, dia dos pais, e não consegui achar a conexão.

Acho que foi a vontade de estar com você e os seus, de fazer parte da sua mesa.

Coloquei a minha filha para dormir secando lágrimas.

Ela me diz que perdeu pessoas pelo caminho e entre elas citou você.

Olho em volta e não entendo  tanto deserto ainda em volta, se dentro de mim, as flores há algum tempo voltaram a nascer…

Mudanças em breve

Tags

, , , , ,

????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

Ouvindo  sua música, vejo uma porta bem estreita

E um instrumento especialmente soa afinado,

Eu estou na mesma sintonia.

Quem vai atravessar e passar para o outro lado?

Estou programando mudanças para breve.

 

Vejo flores cor de rosa e nós sentados na sombra daquela bela árvore ancestral.

Suas palavras tocam meu coração

E eu quero ir na sua direção.

Não sei ainda como, nem quando, mas, meu caminho aponta na sua direção.

 

Quais são os apegos que ainda me causam sofrimentos?

O que em mim faz com que eu me assuste com tamanha proximidade …

Quero fazer o que deve ser feito, bem feito, com prazer de fazê-lo.

Quero seguir a minha missão.

 

Nada é pessoal. Os acontecimentos simplesmente acontecem.

Pare de tecer a teia. Saia do casulo. Não há mais como se esconder.

Está tudo visto e agora,  sempre possível de ser achado novamente.

Uma ponta de mim, por exemplo, permanecerá para sempre de fora.

Para sempre.

 

Não existe saída para o egoísmo meu bem.

Ou você da altruisticamente ou deixa de ser canal por onde passa o amor.

E ninguém quer deixar de ser canal da única dádiva da vida, não é mesmo?

A única capaz de fazer com que TUDO valha à pena.

 

Sigamos. Eu e você estamos em mares bem diferentes mas, a emoção é a mesma.

Você vem comigo?

A Páscoa e os 83 problemas

Tags

, , ,

Imagem

Páscoa é renovação, renascimento em qualquer uma das religiões. E o que é renascer, se não ver tudo de uma forma diferente? Aproveitando essa época, que pra mim é mais especial do que o Natal, sobretudo por causa desse feriadão esticado e da possibilidade de estar em família, em paz, sem aquela euforia toda do comércio… segue algo para pensar:

Uma vez ouvi que existiam sempre 3 formas de lidar com um problema, seja ele qual fosse:

1- Fazer alguma mudança em si mesmo ou no ambiente para transformar o problema;

2- Abandonar o problema;

3- ou simplesmente aceitar.

Quando você usa da primeira alternativa, o problema se transforma em outro problema (menor ou maior). E isso faz com que você tenha que se recolocar: ou enfrenta, ou aceita ou vai embora , de novo. Sempre é válido, porque pelo menos você tem a chance de transformar a situação em algo mais aceitável. Porque sim, a gente transforma a realidade às vezes apenas mudando uma pequena característica na gente mesmo, no modo de falar ou de agir. Quando eu mudo, as pessoas mudam também, isso é fato. Você pode conversar com alguém que te dê uma luz , bolar uma estratégia, enfim, esta primeira possibilidade requer uma atitude. Pegar o problema pela mão, parar de reclamar (do outro principalmente) e resolver o que lhe compete.

Quando você recai sobre a segunda possibilidade e abandona o problema, você inevitavelmente vai gerar um problema maior ou um problema menor. E isso também pode fazê-lo aceitar melhor a situação. Mas, em geral, quando a pessoa age assim é porque se acha tão distante (e/ou muitas vezes tão superior) ao problema, ou a quem ela julga ser problemático, que acredita que o problema vai sumir assim que virar as costas. Mas como fazer um problema sumir, se o mesmo, só é problema porque está dentro da gente mesmo? Se você acha que a culpa está no outro, pensa bem, ele é só um instrumento para algo que afetou a você. Um espelho. No final das contas, ou o sentimento vai ser de culpa por ter abandonado algo sem resolver, ou vai ser de angústia : “e agora que sumi do trabalho, como pago as contas? E agora que mandei aquela pessoa para aquele lugar, como faço para resolver o que eu precisava? E agora?”

Já no uso da terceira possibilidade, a mais difícil de ser usada por nós, humanos, simplesmente humanos, é aceitar e seguir se transformando aos poucos, usando aquele ambiente desagradável a nosso favor, aprendendo o que há para ser aprendido, amando o que aquela pessoa nos apresenta para amar e aproveitando para mudar numa nova relação, ou numa mesma relação, aquilo que você já sabe que fez errado na anterior. Viver com os acontecimentos algo novo na mesma vida, se transformar e se adaptar ao que o mundo lhe oferece e acima de tudo, seguir agradecido por ter uma nova oportunidade de viver algo, seja com alguém, seja com um trabalho, seja com uma nova rotina, mesmo que à princípio, pareça uma boa ou uma má rotina , uma boa ou má pessoa, uma boa ou má situação. Através da aceitação a gente também muda, e a mudança interna muda o que está a volta também. Só que muda com o tempo, há que se ter muita paciência, coisa que hoje ta difícil, ninguém mais tem.

Então haja yoga, prolaxetina, meditação, análise, terapia e por ai vai. Mundo ansioso esse…

O Professor Hermógenes, grande mestre da Yoga, diz que para lidar com um problema há que usar a seguinte sentença:

Entrego, confio, aceito e agradeço.

O Ho Oponopono, filosofia espiritual do Hawai diz:

Sinto muito, me perdoe, obrigada, eu te amo ( dito ao Universo para que este coloque as coisas em “ordem”)

E uma historinha budista conta o seguinte:

“ Um homem vai ver o Buda porque soube que ele era um grande mestre. Ele tinha problemas como todos nós e achava que Buda o ajudaria. Ele diz:

– Eu sou fazendeiro e gosto de administrar fazendas, mas, às vezes não chove o bastante e a colheita é escassa…sou casado também e ela é uma boa mulher, eu a amo, mas às vezes ela me apoquenta muito e me canso dela…tenho filhos, muito bons, mas, às vezes não demonstram ter respeito por mim…

E o homem prosseguiu enquanto Buda o ouvia atentamente.

Logo que o homem parou de falar, esperava que Buda lhe dissesse algo. E Buda disse:

– Eu não posso lhe ajudar.

– O que quer dizer? Perguntou o homem surpreso.

– Todos tem problemas – disse o Buda – na verdade, todos temos 83 problemas, cada um de nós. E não há nada que se possa fazer. Se trabalhar duro em um deles, talvez possa resolvê-lo, mas, se fizer isso, outro surgirá no lugar dele.

Então o homem ficou furioso:

– Pensei que fosse um grande mestre! De que serve a sua doutrina então?

O Buda disse:

– Bem, talvez ela lhe ajude com o problema de número 84.

– E qual é ele? Indagou o homem.

– Você não querer ter nenhum tipo de problema – disse o Buda”

 

Aceitação é a chave. Até porque ninguém É, nada É…estamos em mudança o tempo todo, segundo a segundo, o mundo está em mudança; tudo o que acontece está em mudança, e tudo o que podemos levar com a gente é o que sentimos de verdade, é o que realmente nos emociona, no aqui e no agora.

Então, nessa Páscoa, desejo que você passe por um verdadeiro renascimento, aquele que te leve a ver esse mesmo mundo e as mesmas pessoas de outra forma, te leve a notar coisas que você não tinha notado nelas, te leve a sentir o que ainda não havia sentido, te leve a fazer novas e belas conexões apenas mudando a sua visão.

Boa Pácoa!

Plenitude

Tags

, , , , , ,

Outro dia queria trazer para uma colega do trabalho o filme A Felicidade Não Se Compra e comecei a procurá-lo em casa mas, lembrei vagamente que emprestei o dvd para alguém, não me lembro quem, para pedir de volta…este é um clássico do cinema americano, de 1946, dirigido por Frank Capra. Um filme ingênuo, terno e lindo. Eu ganhei o dvd de uma das minhas melhores amigas, num aniversário, já faz tempo.
E nessa de procurar o dvd e remexer em vários dvds, imagina o quanto de coisas não passou pelas minhas mãos e me trouxeram uma infinidade de lembranças…em um dia da semana passada vi 3 dvds sem nada escrito na capa, com fotos especialmente emocionantes. E num misto de alegria, surpresa e dor, fiquei desejando aquele passado novamente na minha vida…
E isso mexeu demais comigo. Passei o resto da semana sonhando com as pessoas das fotos, com o meu amor perdido, que nem estava nas fotos, especialmente um sonho em que dentro de um taxi eu descalça achei um all star (acho que vermelho) para calçar, exatamente do meu número…enfim, sonhos…e levei para o meu analista a seguinte questão:
Não é a primeira vez que me sinto nostálgica por causa de fotos. Quando eu estava nesta fase das fotos que eu vi e então eu olhava fotos da minha adolescência, lembro de me sentir nesta nostalgia também: querendo viver a adolescência de novo. E hoje, enquanto penso no passado, tenho a minha vida de agora escorrendo pelas minhas mãos…e pior é que eu sei que bem mais tarde, vou olhar para as fotos deste momento de agora e achar tudo muito especial! Por que não achar agora? Por que não consigo viver a plenitude agora mesmo!?
E foi falando sobre isso, que depois desta sessão tive um efeito imediato em mim. Senti uma profunda gratidão por quem está perto de mim hoje, pela minha filha, minha casinha, meu trabalho, meus amigos, minha família, todos os meus, que ali na frente podem não estar mais aqui, podem deixar de ser meus, podem se afastar por algum motivo, ou eu deles, ou o mundo acabar, ou eu acabar para o mundo…e eu tenho tanta vontade de viver e estar perto destas pessoas que amo e quero vê-las sempre felizes.
Aí me dei conta, que o filme que eu procurava fala disso também. De um ser que não da o real valor para a própria vida e, para os que estão ao seu lado, que é obrigado a ver a vida daquelas pessoas sem a presença dele. E então, é levado a reconhecer a sua própria importância, o valor dele mesmo na vida delas… muito bom.
Nem sempre na vida o quadro vai estar completo. Aliás, na maioria das vezes não vai estar. Por exemplo, há alguns anos a minha mãe estava viva e não está mais, mas há 13 anos eu era sozinha no mundo e hoje não sou mais: tenho um pedaço de mim na minha filha. Há anos estive casada e vivi coisas maravilhosas, assim como nada boas com o casamento. E hoje estou solteira e vivo as alegrias e as agruras de estar só. Alguns amigos se foram, alguns, eu me fui deles, outros viraram família porque estão na minha vida desde sempre…
Se tudo está em mudança o tempo todo e esta é a única certeza que se tem, a plenitude só pode ser interna e não externa. Olhando para fora, nada é perfeito. Mas, olhando para dentro, a minha vida é um frame no grande filme do universo. Ou seja, não é nada, mas é fundamental para que o filme seja do jeito que é. Então, tenho que dar valor a mim mesma na vida do outro, nas atitudes que tenho e no quanto sou capaz de mudar o meu mundo e daqueles que estão por perto.

Imagem    Imagem

45 minutos

Tags

, , , ,

foto ilustraçãoEstá passando o Jornal Nacional e eu estou em uma das esteiras da sala de cárdio da academia.

00` começo a caminhar

Depois de escutar o discurso de dar vômito do William Bonner falando o quanto o jornalismo da Globo é imparcial, profissional e blá,blá, blá, sinto tristeza pela morte do jornalista que teve o crânio afundado pelo rojão jogado na praça de guerra das manifestações aqui no Rio de Janeiro. Estão caçando os caras….

A violência é mesmo um erro seja em qualquer situação. Mascarados ou não, sem saber o que aconteceria ou não, todo ato gera consequências. E claro, há que se punir os culpados quando as consequências geram mortes principalmente…mas, por que a polícia não está sendo investigada contra todos os atos de violência cometidos em cima dos manifestantes pacíficos  no princípio dessa história toda, é o que não entendo. Tiveram muitas pessoas machucadas ali também, inclusive jornalistas: a menina da Folha de São Paulo, o outro jornalista que perdeu uma das vistas, a porradaria contra os professores…por que esses atos ficaram por isso mesmo?

Qualquer um poderia ver que a violência policial daria em violência da outra parte (não que eu concorde). Não precisava ser nenhum perito para saber que nesta guerra haveria mortes. E o cinegrafista não foi único. Já constam umas dez mortes desde que isso tudo começou. Mas, a Rede Bobo não fala sobre isso.

10` Bebo um gole d´agua e começo a correr. Começa a passar a  novela das nove na tv. Nada poderia ser mais chato do que esta “Em Família”. E não parece que essa primeira parte se passa nos anos 90…irreconhecível para quem viveu.

Dos 10`aos 30` faço o treino de 3 minutos correndo com  intervalos de  2` para caminhar

Isso me distrai e entro no automático mental de novo. Lembro do segundo volume do IQ84, livro do Murakami que voltei a ler. Não lembro direito dos detalhes da história do primeiro volume e por isso, tenho que prestar um pouco mais de atenção. Mas, como a história já começa eletrizante no segundo volume, não há muito como dispersar durante a leitura. Volto a me apegar ao livro e percebo o quanto ao esquecê-lo em casa e não poder lê-lo no metrô ou nos momentos mais entediantes do meu dia, me sinto mal, como se faltasse algo em mim.

Dos 30`aos 45` corro moderamente.

Durante a corrida, cabeça vazia por algum tempo. Me olho no espelho bem à frente e admiro as minhas passadas firmes na esteira, meu suor na blusa, na altura do peito, o meu rosto tranquiiiiilo, com a respiração ritmada e me encho de alegria.

Olho o par de tênis  que ganhei no Natal e sinto a força que você me deu para voltar à corrida no ano passado, me levando ao seu itinerário, me incluindo no seu mundo. E como foi importante começar no seu e reconstruir o meu com essa atividade tão importante pra mim. Sou grata!!!!

E nos 3 minutos finais de corrida, ainda estavam na sala eu e acho que mais umas 4 pessoas. De repente vejo a cara de uma das meninas da secretaria atrás de mim:

– Pessoal desliguem tudo agora e saiam da academia!

Eu, tendo sido pega de surpresa fico confusa e  ainda correndo:

– Ta acontecendo alguma coisa?

– Luciana desliga agora que a academia ta pegando fogo no terceiro andar!

Aperto o botão vermelho de emergência para desligar de supetão a esteira e saio correndo para fora.

Joelma, Andorinha, Boite Kiss… foi o que passou pela minha cabeça quando vi a maior galera já la embaixo, a fumaceira e o fogo brilhando em uma das janelas do terceiro andar.

Definitivamente, não é a atividade física o que me cansa…

yoga e corrida

Tags

, , , , ,

yoga

Aqui estou eu, dois anos depois de trabalhar sentada o dia inteiro… imagine uma pessoa que jamais teve barriga na vida, a não ser durante a gravidez… pois é, a realidade já não é mais a mesma. As pessoas em geral dizem que nada de diferente aconteceu comigo. Mas o meu bom-senso não me deixa ignorar que as minhas calças não são tao confortáveis como antes.

E não apenas por isso, mas, também pela questão da prevensão de doenças e manutenção de uma vida saudável, há alguns meses recomecei na minha atividade física querida: yoga.

Atividade física sempre foi para onde eu corria nas minhas angústias, fossem elas emocionais ou físicas. Sempre ao dizer isso, ouço de um ou de outro: “mas, yoga não é atividade física como as outras. Funciona para um monte de coisas, mas não para enrigesser a musculatura e etc…”

————————————————————————————————————————————

Certa vez, quando aos 15 anos tomei coragem e terminei com o meu namorado da época, fiquei tão vazia, me arrastando pelos cantos, que a deixada parecia ter sido eu. Lembro do dia em que tive um clique: “nadar”. Nem esperei o elevador, subi as escadas do prédio correndo para pedir a minha mãe para me dar dinheiro porque eu me matricularia na natação. E a minha mãe sempre abria um sorriso quando me via reagir assim. Imagina, logo eu que fui uma menina que chorava de desespero quando vinha chegando a hora de ir para a natação quando criança…

E da natação fui para o basquete. Depois para a academia. Logo mais para a bicicleta. Um dia para o pilates e logo depois descobri a yoga, isso há muitos anos atrás, através de um livro do Professor Hermógenes, chamado Yoga para Nervosos, que caiu nas minhas mãos graças ao meu primeiro período de insônia aos 19, 20 anos.

De lá pra cá, já passei por praticamente todas as modalidades de yoga que por aqui chegaram e por diversos estúdios, com professores realmente maravilhosos, e outros nem tanto. Sou fã de yoga, da filosofia, da forma de fortalecer sem enrigesser, de acalmar sem pulverizar sentimentos, da atitude, do foco, de fazer surgir a guerreira em mim, presente e firme, flexível e integrada ao todo.  Minha relação com a/o yoga é a mesma desde então. Faço um tempão, depois saio, dai volto, tudo conforme a maré, o tempo, ao sabor do vento.

Da filosofia da yoga vivo falando e aprendendo. E por isso mesmo, dessa vez, vou falar de outra coisa. Batendo de frente com o pensamento de muita gente que não acredita na yoga como atividade física.

Além da yoga, também voltei a correr no final do ano passado, na orla, de Copa para o Arpoador. Nas pedras do Arpoador, com aquele lindo visual, ainda fazia uns alongamentos e abdominais. O conjunto (aeróbico mais yoga) estava fazendo muito bons efeitos.

Pausa para Natal, Reveillon e a minha yoga parou. E eu que não tenho disciplina suficiente para praticar sozinha, estou esperando o recomeço em fevereiro. Logo, resolvi entrar numa academia para levar a corrida mais a sério e fiquei de queixo caído. Correr na esteira é mais chato, apesar de ser mais fácil e mais cômodo (a academia é muito perto da minha casa), faço um pouco mais de tempo de corrida do que antes e tenho suado bem mais. Mas sem a yoga e os efeitos de pele grudada no músculo, de absorção daquele foco e uso do mesmo no meu dia-a-dia, a corrida + exercícios e nada, parece a mesma coisa. Não me sinto tão viva, tão disposta, tão inteira e longelínea como a yoga me mantinha combinada a corrida.

E é por isso que contrariando todas as expectativas e o que muita gente diz, sim, a yoga tem um efeito maravilhoso sobre o físico também e sobre a mente (que logo tem efeito sobre o físico) para quem deseja emagrecer.

Ai outro dia, só para comprovar esta afirmação, ainda me deparei com estas fotos:

E só para não deixar dúvidas, ai vão todos os benefícios já comprovados em um texto da Revista Isto É.

Amálgama é um título muito bom

Tags

, , , , ,

CAPA-AmálgamaUm mundo rachado, deteriorado, com seres bizarros em relações bizarras, um mundo violento, seco e bruto…como podem ser também as borbulhantes champanhes. Um mundo também borbulhante.

Como em tudo que é bom, em Rubem Fonseca também existe entrelinhas. Em meio ao clima Blade Runner, existe amor e ternura. Existe o avesso e o direito, lados do mesmo tecido, da mesma moeda, assim, unidos.

Digamos que o mundo apodrece mas, deixa esperanças. Sementes que podem dar bons frutos.

Este é o mundo. Este é o livro: Amálgama.

Que me tirou do sério, literalmente. Me fez rir da desgraça, me fez novamente constatar a falta de valores, me fez lembrar que quando se chega ao fim, nada mais há que se possa fazer. Entrega.

Cada um dos contos, um soco no estômago… mas, há ternura e amor no caos. Existe um ar de aceitação e desapego ao mundo como ele é, existe uma sabedoria dolorosa, mas que não é sofrida. É. Apenas é.

Além dos contos, ele nos apresenta também algumas poesias. Também precisas. Vão direto ao cerne da questão: a falta de justiça,o sarcasmo no qual estamos envolvidos e a falsa impressão de liberdade, com seus seres obcecados.

Rubem Fonseca completou 50 anos de carreira e não por acaso, Amálgama apresenta mesmo uma mistura de tudo, anões, mulheres bonitas, violência, despudor, absurdos e calma, muita calma nesta hora.

Envelhecer assim, com essa sabedoria, não deve ser nada mal.

Grande livro!

Ondas que engolem tudo

Tags

, , , , ,

Imagem

Na praia, de Ian MacEwan.

É noite de núpcias de dois jovens ingleses virgens: Edward e Florence. Casados mas com uma gama imensa de importâncias não ditas entre o casal. Tabus, preconceitos, hipocrisias da época…a história parece se passar na Era Vitoriana mas, se passa logo ali em 1962, na década das grandes mudanças, da revolução sexual.

Na Praia me fez pensar no quanto perdemos e ganhamos de lá para cá…

Florence teme a sexualidade, Edward é cuidadoso, não quer invadí-la. Ambos amam e ambos sentem medo. E apenas com um acontecimento, uma proposta e um mal-entendido em uma noite, o rumo da vida dos personagens é toda mudada.

Deve mesmo haver aqueles amores que perduram na memória e não te abandonam mais no decorrer da vida… que te levam a pensar: era amor, ainda seria, ou serve agora apenas como objeto de autopunição?

Normalmente estamos tão encimesmados, querendo tanto que as coisas fiquem bem para o próprio umbigo, que acabamos não vendo o quanto NÃO amamos, ou TALVEZ amamos ou COMO amamos…enfim…

Mas, amar não é querer fazer bem ao outro, independente se ele quer também? Amar não é deixar livre, para que o outro decida o que vai fazer com as suas próprias pernas e convicções?  E amar não é sobretudo ser sincero,  olhar no olho do seu bem e dizer a ele aquilo que ninguém diz: tanto de bom quanto de ruim? Amar não é querer o bem do outro?

Mas, claro que o modo de dizer acaba sempre sendo  mais importante do que o que se diz. Amar é não ferir o outro, é ter compaixão pelo ser-humano que está batalhando pelos seus projetos de vida, cheio de altos e baixos internos e que está compartilhando um tanto de vida própria com você.

No fim, amar não é mesmo fazer com o outro como você gostaria que fizessem com você?

Vamos aprendendo.

Coisas de Natal

Tags

, ,

É Natal, de novo. Todo ano tem.

presenteEu sempre disse que achava que Natal deveria ser ano sim, ano não, mas esse ano, depois de muitos Natais e muitas mudanças na vida, estou feliz com a chegada do Natal.

Não vou ganhar nenhum presente diferente, nem tem criança nova na família e nem vou viajar para algum lugar incrível e distante. To é me sentindo mais próxima da minha família, com  vontade de estar perto deles, de curtir com eles uma noite regada a boas histórias, vinho, comida gostosa, e aquelas renovações de esperança para o ano que vem. Estou grata.

Sei que contar uma boa ação, não é sinal de solidariedade mas, de vaidade. Mas não posso deixar de contar que eu peguei junto com o pessoal do trabalho uma cartinha nos Correios, e que saímos outro dia para comprar a bicicleta que já entregamos em conjunto. Bicicleta aro 16, de criança, da Caloi, para uma marca infantil. Passamos por maus bocados até os Correios: 1 hora na Loja Americana (está falindo?!) , depois mais meia tentando conseguir um táxi, depois mais meia hora no trânsito até os Correios da Primeiro de Março e no desembarque da bicicleta quase fomos atropeladas. Após isso, um anjo do Correio apareceu e nos ajudou a levar a caixa até lá. Nos Correios só ajuda! Duas pessoas embrulharam a caixa com a gente. E pronto, uma alegria absurda me invadiu, conseguir cumprir e imaginar a carinha do menino recebendo a primeira bicicleta da vida dele, novinha, lindinha…a sensação que eu tive foi um grande presente. Grata!

Este ano também recebi um cartão de Natal de uma amiga. Cartão lindo, escrito à mão, me desejando tempo para as coisas simples da vida. A mensagem me encheu o coração de alegria. Porque é tudo o que eu quero, ter tempo de aproveitar o que eu tenho na vida: meus amores, minha família, boas noites de sono, passeios, viagens, boa alimentação, corridinhas, yoga, bons mentores, bons amigos, um solzinho no rosto, uma cobertinha e filme nos dias frios, companhia…sou grata!

Falta fazer uma limpa no meu armário. Abrir espaço para o que vai chegar.

Vou terminar este ano plena. Cada vez mais. Meu ano não foi fácil, mas muita coisa eu desenrolei. Termino o ano com várias coisas finalizadas e com uma vida de realizações verdadeiramente recomeçando em mim. Gratidão!